Rolando Sá Nogueira

Rio vivo

Os peixes são o motivo desta obra em mosaico italiano. Uns motivos são representados inteiros, como se tivessem sido digitalizados, outros fragmentados e planos, como numa colagem.

Rolando Augusto Bebiano Vitorino Dantas Pereira de Sá Nogueira, nome que abreviou para Rolando Sá Nogueira, nasceu em Lisboa no dia 19 de Maio de 1921. Morreu em 18 de Novembro de 2002.

Em 1942 entra na Escola de Belas Artes para o curso de Arquitectura, contrariando a mãe que o queria médico. Mas a sua vocação eram as artes plásticas, por isso decidiu em 1946 mudar para Pintura, curso onde conhece João Abel Manta e José Dias Coelho, amigos que ficaram para vida e o influenciaram profundamente.

No início dos anos sessenta parte para Londres com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian onde frequenta a School of Arts and Crafts (cenografia) e a Slad School of Arts. Nesta última tem um professor que vai ter uma importância decisiva na evolução da sua obra: Michael Andrews. Aqui "descobre" a colagem, a fotografia e a fotomontagem enquanto materiais essenciais na prática da pintura e também outros artistas: Kurt Schwitters, Richard Hamilton, Larry Rivers e Robert Rauschenberg e Paula Rego e Maria Velez.
Imbuido do espírito pop, começou a integrar o quotidiano no seu trabalho, primeiro em Londres, depois em Lisboa. Apanhava tudo quanto encontrava na rua para utilizar em colagens que seriam expostas na Galeria 111, numa exposição foi um êxito público mas um fracasso comercial.

Já em Lisboa, dá aulas de Desenho no Curso de Formação Artística na SNBA e em 1969 começou a trabalhar no atelier do arquitecto Conceição Silva, (onde irá manter-se até 1975), onde lhe competia a coordenação cromática de projectos arquitectónicos (como por exemplo a loja Valentim de Carvalho, em Cascais e o complexo Torralta-Troia). Aí daria início às imagens fotográficas impressionadas sobre tela e posteriormente trabalhadas em acrílico ou óleo, concebidas pelo artista e executadas segundo processos industriais de trabalho em série, contando com uma equipa de cinco ajudantes.

Em 1974 integrou o Movimento Democrático dos Artistas Plásticos fundado após o 25 de Abril, tendo sido um dos 48 artistas (tantos quantos os anos de ditadura em Portugal), no gigantesco painel de 24 x 4,5 m. de Homenagem à Revolução do 25 de Abril, realizado no dia 10 de Junho, em Belém, por iniciativa do MDAP. Este painel viria a ser destruído por um incêndio em 1981.

Sá Nogueira, desde as suas primeiras pinturas no final dos anos 40 até às últimas que produziu, foi incessantemente um pintor moderno em diálogo com o passado e o presente, afastando-se das polémicas entre as diversas correntes artísticas. Isto permitiu-lhe a imensa liberdade de ir descobrindo a pintura dos outros, incorporando os seus elementos essenciais no seu próprio universo. Inicialmente Bonnard , Modigliani, um Bernardo Marques ainda próximo e um ainda mais próximo Hogan, transparecem nos interiores dos cafés, nos retratos e pseudo-retratos, nos jardins e nas pequenas praças, numa Lisboa que o artista foi transpondo para a tela com uma grande riqueza cromática e um extremo rigor, só possível em quem dominava o desenho como muito poucos e raros o conseguem.

Este extraordinário mestre explicou que só um imenso e continuado trabalho com os lápis ou os pincéis podia reproduzir o que com a cabeça (na mesa da anatomia da vida em toda a sua dimensão histórica e social) se construía, porque só esse trabalho quase operário dava à mão a capacidade de ser fiel ao pensamento.

Como esclareceu em entrevista a um jornal: "Não tenho outra atitude que não seja afirmar aquilo que faço como modo de estar, revelando assim a minha capacidade de resolução, e ela passa pelo mistério da minha própria existência, por aquilo que me acompanha no dia-a-dia, o que tem ainda a ver com a minha profissão de professor." E esta actividade de professor ,justamente lembrada por todos os que ensinou, primeiro na SNBA - Sociedade Nacional de Belas Artes - e depois na Escola Superior de Belas Artes do Porto, era assumida como fazendo parte integrante da sua prática de pintor: "Tenho de me dividir pelas duas actividades: pintura e ensino. Esforço-me para que elas não sejam antagónicas. Quer dizer que as minhas preocupações na pintura fazem parte daquilo que quero transmitir aos alunos, tanto quanto possível."

A pintura de Sá Nogueira é a pintura do nosso século XX, que nos é familiar porque é feita do material da própria vida - pessoas e objectos, receios, esperanças e gestos do dia-a-dia.

Rolando Sá Nogueira Manteve intensa actividade artística até morrer.

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