Rui Chafes

Horas de chumbo

Esta escultura, em ferro pintado de negro, vive da participação activa dos visitantes, que podem ouvir através dela o rumor do vento e o eco da sua própria voz.
É constituída por duas formas cónicas que apontam para o vento e para a água e, mais além, para o Sul e para o Oriente.

Rui Chafes nasceu em 1966, em Lisboa. Formou-se em Escultura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, em 1989, tendo ido depois para Dusseldórfia, onde frequentou a Kunstakademie, sob a direcção do artista alemão Gerhard Merz. A cultura alemã sempre interessou o escultor, sendo uma referência base da sua obra. Traduziu, por exemplo, os "Fragmentos de Novalis".

O universo romântico da sua obra transporta-nos para um universo nostálgico e romântico, que é o do romantismo alemão, reflectido nos próprios títulos que escolhe, com palavras como "sonho", "morte", "manhã", "ferida", entre outras. No entanto o material de eleição de Chafes nada tem a ver com os bronzes ou os mármores românticos - mas sim o ferro, uma paixão ibérica.

O "lugar" da escultura é também uma constante na obra deste artista. Realiza esculturas de chão, de tecto, penduradas nas paredes como pinturas, objectos de decoração que ocupam cantos de salas como móveis. E até se empoleiram em árvores, como pássaros. É também autor de desenhos a lápis negro, que continuam o desenrolar formal das suas esculturas.

Expôs  regularmente desde a metade dos anos 80, num percurso consolidado que conta já com múltiplas exposições em Portugal e no estrangeiro, bem como com representações portuguesas na Bienal de Veneza (em 1995, com José Pedro Croft e Pedro Cabrita Reis) e na Bienal de São Paulo (em 2004, em projeto conjunto com Vera Mantero).

Em Portugal, já expôs individualmente em importantes instituições, como o Museu de Serralves e o Sinta Museu de Arte Moderna – Colecção Berardo. Numerosas obras suas integram os mais relevantes acervos públicos e privados, como a Colecção Berardo e os do Museu de Serralves, do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu do Chiado, do Centro de Artes Visuais, da Fundação Ellipse, da FLAD, da Caixa Geral de Depósitos e do Banco Privado Português.

Fora de Portugal, realizou exposições individuais em instituições como o S.M.A.K. (Gent, Bélgica), o Museum Folkwang (Essen, Alemanha), o Nikolaj Copenhagen Contemporary Art Center (Copenhague, Dinamarca), a Fondazione Volume! (Roma, Itália) e a Fundação Eva Klabin/Projeto Respiração (Rio de Janeiro, Brasil), e diversas obras suas integram os acervos de museus como o S.M.A.K. (Gent, Bélgica), o Museum Folkwang (Essen, Alemanha), o Museum voor Moderne Kunst (Arnhem, Holanda) e o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madri, Espanha).

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